O medo de dar certo também mora no corpo
- Fernanda Mendes
- há 4 dias
- 3 min de leitura
Existe um tipo de medo que não paralisa na dor, mas na possibilidade. Talvez você reconheça ele.
Não é o medo que aparece quando tudo está difícil. É aquele que surge quando a vida começa a se abrir... quando algo dá certo, quando um caminho se organiza, quando o reconhecimento chega ou quando você percebe que tem potência de verdade para viver algo maior.
E então, quase sem perceber, algo em você recua.
Tenho percebido isso com ainda mais clareza enquanto leio o livro "O medo de dar certo", da Natália Sousa. Ela traz uma provocação muito direta, e ao mesmo tempo profunda. O medo não está só em fracassar. Muitas vezes, ele está em sustentar aquilo que a gente sempre disse que queria.
E isso muda muita coisa.
Porque dar certo exige presença, responsabilidade emocional. Exige sair da narrativa da escassez, da dor conhecida, dos ciclos que, de algum jeito, já são familiares.
Mas deixa eu te perguntar uma coisa... O que acontece em você quando algo começa a dar certo? Você consegue ficar? Ou dá uma vontade sutil de recuar, de desacelerar, de criar algum tipo de ruído no caminho?
Porque não é só sobre a mente. E você que me acompanha por aqui, que lê meus textos, já sabe disso. O corpo também fala... e às vezes ele fala antes mesmo de você conseguir explicar.
Como está tua respiração quando algo bom acontece?
Ela aprofunda… ou encurta?
Teu peito expande… ou dá uma leve travada?
Teu corpo relaxa… ou entra num estado de alerta difícil de entender?
Percebe como não é só pensamento?
Pela visão da bioenergética, esse medo está inscrito no corpo. Ele aparece nas micro contrações, nos padrões de defesa, na forma como você aprendeu a se organizar para dar conta da vida.
E aqui talvez venha uma pergunta importante. ... Será que, em algum momento, expandir não foi seguro pra você?
Será que ser visto, reconhecido, sentido, foi demais?
Porque quando isso acontece, o corpo aprende. Ele aprende a se conter, a ir até certo ponto… mas não tudo. E aí, quando a vida começa a fluir de um jeito diferente, pode surgir uma sensação estranha.
Como se fosse bom… mas ao mesmo tempo intenso demais.
Você já sentiu isso?
Como se tivesse algo se abrindo, mas junto viesse uma tensão, uma vontade de controlar, de segurar, de não ir completamente? Então talvez o medo não seja de crescer, mas de sustentar a energia do crescimento.
De sustentar o prazer.
De sustentar o reconhecimento.
De sustentar ser quem você está se tornando.
E isso muda tudo.
Porque não se trata de falta de capacidade. Se trata de capacidade de sustentação.
E isso, a gente constrói aos poucos.
Com presença.
Com corpo.
Com respiração.
Então eu te convido a fazer algo simples agora:
Para um instante.
Percebe teu corpo enquanto lê isso.
Tua respiração está livre?
Teu abdômen está solto ou levemente contraído?
Existe algum lugar que, só de você pensar em “dar certo”, já começa a segurar?
Sem mudar nada à força, só observa.
E, se fizer sentido, permite um pequeno ajuste...
Um pouco mais de ar.
Um pouco mais de espaço interno.
Um pouco menos de pressa em sair do que está funcionando.
Sustentar o que dá certo é um trabalho interno.
É corpo, mente e energia. É aprender a respirar dentro da expansão sem imediatamente fechar, e também permitir que o prazer, a leveza e a construção também façam parte da tua experiência.
E talvez, como o livro vem me mostrando enquanto leio, o caminho não seja vencer o medo. Mas reconhecer que ele aparece justamente quando algo importante está prestes a acontecer. E, a partir disso, fazer uma escolha diferente.
Ficar um pouco mais.
Respirar um pouco mais.
Não recuar automaticamente.
E, aos poucos, se permitir dar certo.
com amor, Fernanda.




Como recebo bem esse texto, com palavras que traduzem as nossas batalhas diárias... Sim, é verdade. Sustentar aquilo que desejamos, deveria seu normal... Mas, sempre, frente ao desconhecido, patinamos... Obrigado por transformar em reflexão aquilo que todos vivenciamos frente a vida. Por reflexões que somem!! Obrigado 🫂 🫂