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A coragem de sustentar uma direção

Eu aprendi, na prática, que ir rápido não tem nada a ver com fazer muito. Tem a ver com fazer o essencial e sustentar isso. Durante muito tempo eu me confundi achando que estar ocupada era sinal de avanço. Hoje eu vejo com clareza. Quanto mais coisas eu tentava dar conta, mais eu me afastava do que realmente importava.


Velocidade verdadeira apareceu quando eu comecei a fechar portas. Portas internas, principalmente. Expectativas alheias, convites que não conversavam com o que eu queria construir, caminhos paralelos que só existiam para me poupar do desconforto de escolher.


Comprometer-se é isso. É perder opções para ganhar direção.

A vontade nunca foi um bom guia pra mim. Ela oscila, muda de humor, some quando o corpo cansa ou quando a vida aperta. Se eu dependesse da vontade, eu viveria começando coisas bonitas e abandonando no meio. O que me sustenta não é vontade, é compromisso.


Um acordo que eu faço comigo, que não precisa de empolgação pra existir.

O compromisso me ajuda a organizar meus dias, meu tempo, minhas decisões pequenas. E ele cobra. Porque quando existe compromisso, eu não posso me trair sem sentir. Não dá pra fingir que não percebo quando estou me distraindo do que escolhi.


Eu também entendi que não dá pra se comprometer com tudo. Compromisso de verdade fecha portas. Fecha versões de mim que até poderiam ser interessantes, mas que me fragmentariam. Cada compromisso real exige renúncia. E renúncia não é falta. É parar de negociar o tempo todo comigo mesma.


Existe um tipo de cansaço que vem de viver dispersa, tentando agradar, tentando dar conta, tentando manter todas as possibilidades abertas. Esse cansaço eu conheço bem. E existe outro cansaço, muito diferente, que vem de sustentar uma escolha. Esse segundo, apesar de exigir, me fortalece. Ele me dá chão.


Hoje eu percebo que a minha paz está diretamente ligada ao que eu sustento, e não ao quanto eu faço. Quando a direção está clara, o corpo acompanha. A mente não precisa inventar tantas histórias. A energia deixa de vazar.


Compromisso, pra mim, é postura. É presença. É coerência entre o que eu digo, o que eu sinto e o que eu faço quando ninguém está vendo. É fechar a porta do que distrai para honrar aquilo que me chama de verdade.


Então, quando eu me pergunto com o que estou comprometida, a resposta não vem da agenda. Vem do corpo. Vem do que eu sustento mesmo nos dias sem brilho, sem aplauso e sem vontade.


E talvez seja essa a pergunta que realmente organiza uma vida. Não o que você quer. Mas com o que você está disposto a se comprometer.

 
 
 

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