Respirar é um treino pra vida
- Fernanda Mendes
- 22 de jan.
- 2 min de leitura
Quando eu falo em técnicas de respiração, muita gente pensa que elas servem só para o momento da prática. Como se o pranayama começasse e terminasse ali, no tapete. Eu mesma já pensei assim em algum momento. Mas, com o tempo, fui entendendo que ele é um treino para a vida real. Para aqueles dias em que a vida pede mais do que eu imaginava que podia oferecer.
No cotidiano, quase ninguém percebe como está respirando. Eu também não percebia. A respiração vai se moldando às pressões, aos prazos, às conversas difíceis, aos estímulos constantes. Ela encurta, acelera, se prende, e a gente segue.
Quando eu sento para praticar pranayama, crio um espaço para observar tudo isso com um pouco mais de curiosidade e menos julgamento. É como se a prática colocasse uma lupa sobre algo que já acontece no meu corpo o tempo todo.
Praticar pranayama, para mim, é ampliar território. É descobrir que o corpo tem mais recursos do que eu costumava acessar. Que dá para sustentar uma exalação um pouco mais longa sem perder o chão. Que dá para ficar na pausa sem pressa. Que a expansão pode acontecer sem esforço. Essas experiências não ficam só como uma ideia, elas se registram no corpo.
Com o tempo, começo a perceber isso fora da prática. Em momentos de tensão, algo reconhece aquele caminho já conhecido. O corpo lembra que existe mais de uma forma de responder. Que não precisa ir direto para o aperto, para a defesa, para o excesso. A respiração vira um apoio, disponível quando a vida exige além da conta.
Os pranayamas também me ajudam a reconhecer limites com mais claridade. Não aquele limite rígido, que bloqueia, nem o limite ignorado, que cobra depois. Mas um limite vivo, que informa. Aquele que diz agora é hora de sustentar, agora é hora de soltar, agora é hora de pausar. Essa escuta muda a relação com o corpo e, aos poucos, muda a forma como eu atravesso o dia.
Talvez o convite seja esse: começar a reparar na própria respiração ao longo do dia, sem querer consertar nada. Só observar. Porque, quando a gente aprende a respirar com mais consciência, não muda só o ar que entra e sai. Muda a forma como a vida passa pelo corpo.
com amor,
Fernanda.




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