O que você precisa enxergar para seguir?
- Fernanda Mendes
- 15 de jan.
- 3 min de leitura
Em que situações você gosta de tomar decisões? E em quais você trava, adia ou simplesmente deixa passar? Há contextos em que decidir parece natural, quase orgânico. Em outros, a decisão pesa, confunde, cansa antes mesmo de acontecer.
Muitas vezes acreditamos que só conseguimos decidir bem quando temos todas as informações, todos os cenários mapeados, todas as variáveis sob controle. Criamos a ideia de que uma boa decisão nasce da certeza absoluta. Mas, na prática, essa certeza quase nunca existe. O que muitas vezes chamamos de segurança é apenas a sensação de ter decidido, não necessariamente o resultado que ainda nem teve tempo de se mostrar.
Vivemos um tempo acelerado, intenso, cheio de estímulos, cobranças e respostas rápidas. Nesse ritmo, quando falta uma informação, quando algo escapa do controle, a sensação é de que não estamos prontos para decidir. Mas talvez essa seja apenas a melhor decisão possível dentro do tempo e da consciência que temos agora.
Tenho observado isso em mim e nas pessoas que acompanho. Por isso, algo que tenho feito com frequência é fracionar decisões. Pequenos movimentos, pequenos testes, pequenos passos. Não para fugir da decisão, mas para permitir que o inconsciente se manifeste, que as reações apareçam, que o corpo responda.
Você realmente precisa decidir tudo de uma vez? Precisa reunir todas as confirmações no mesmo momento? Ou pode começar listando o que já está claro? Aquilo que você sabe que quer. Aquilo que você sabe que não quer. Aquilo que ainda é suposição. Aquilo que precisa de mais tempo.
Às vezes, ao rodar um pouco mais a vida, percebemos que algo que antes parecia essencial já não faz mais sentido.
... e aqui entramos num ponto importante. Existe uma camada da decisão que organiza opções, dados e confirmações. Mas existe outra, mais profunda, que fala de motivos e objetivos.
Coloque isso no papel, na mesa, na parede. O que eu quero. O que eu não quero. Onde ainda preciso de informação. E então escolha como buscar essas informações. Você pode olhar para o lado e perguntar o que mais eu quero, ou o que mais eu não quero. Ou pode aprofundar. Por que eu quero isso? Por que eu rejeito aquilo?
Quando investigamos o porquê das nossas vontades e resistências, encontramos histórias, frustrações, vínculos, desejos que não são exatamente nossos, vontades que foram adiadas, danificadas ou soterradas ao longo do caminho. Muitas decisões difíceis não falam sobre o agora, mas sobre antigas adaptações que ainda governam nossas escolhas.
Você está vivendo um novo momento. Talvez essa mudança tenha começado há seis meses. Talvez há um mês. Talvez esteja apenas surgindo agora. O ponto é que a vida que você terá daqui a seis meses, seis anos ou muito mais adiante está sendo construída pelas decisões de hoje. Hoje é o passado de muitos dias que ainda virão.
Onde está a sua dificuldade em saber ou mostrar o que você quer e o que você não quer? Para quem isso precisa ficar claro? A vida é justa. Ela responde ao que é mostrado com clareza. Quando você não decide, algo decide por você. Muitas vezes, são os próprios problemas que assumem esse papel. E isso também é uma decisão, embora mais cara, mais desgastante e cheia de justificativas depois.
Não precisa ser fácil. Precisa ser feito. A coragem, a leveza, a segurança e até o prazer de fazer o que precisa ser feito nascem da clareza do porquê você está fazendo. Não estamos aqui para viver por acaso.
Fica o convite... Questionar o automático. Fracionar o que pesa. Sustentar o que já foi escolhido. Porque quando você decide com consciência, a vida não precisa empurrar. Ela acompanha.
Com amor,
Fernanda.




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