Revalidar constantemente o compromisso com a vida
- Fernanda Mendes
- 17 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Existe um silêncio que quase nunca escutamos: o silêncio de quando tudo dá certo… e, ainda assim, alguma parte nossa percebe que algo não encaixa mais. É um desalinhamento sutil, que não faz barulho, mas que pesa. Porque há um tipo de fracasso silencioso, e por isso mesmo perigoso: o de ter sucesso em um objetivo que não é mais seu.
Mas há outro risco, tão importante quanto esse: seguir no caminho certo com motivos vencidos.
Porque os motivos mudam. Eles também têm prazo. Às vezes, o caminho ainda é verdadeiro, mas o porquê que te colocava nele já expirou, e se você não atualizar esse motor interno, a caminhada perde alma.
A vida é cheia dessas sutilezas. Há quem erre insistindo num plano que nunca fez sentido .Mas também há quem erre por não perceber que o plano ainda faz sentido, mas precisa ser revalidado, aquecido de novo, refinado.
A grande sacada é aprender a diferenciar essas duas coisas.
Nem sempre o “não encaixe” significa que você precise abandonar tudo e recomeçar. Às vezes, significa apenas que os motivos que você carregava eram motivos de outra fase, de outra necessidade, de outra versão sua. E você, agora, precisa atualizar a razão pela qual continua.
Objetivos são como endereços no GPS, mas os motivos são o combustível. Se você continuar abastecendo com justificativas antigas, seu movimento perde potência, mesmo que a rota esteja correta.
Por isso, revalidar o compromisso com a vida é um gesto duplo:é a coragem de ajustar o destino e a humildade de atualizar o motivo.
Pergunte-se:
O que eu quero hoje é o que eu realmente quero? E por que eu quero isso, hoje? Meu motivo ainda me move, ou apenas me acostumei a repeti-lo?
Essas perguntas não servem só para quem pensa em mudar de direção. Servem, principalmente, para quem escolhe continuar, mas continuar com consciência, e não por inércia ou dependência emocional.
Revalidar não é abandonar. Revalidar é afinar. É limpar as lentes para enxergar melhor o caminho que talvez ainda seja o seu. É ajustar, calibrar o sentido, recuperar a força do porquê. Porque a vida é justa com quem observa. Ela responde com clareza a quem caminha com presença.
E quando você atualiza seus motivos, seja para seguir ou para transformar, algo se alinha dentro... a direção faz sentido, o movimento respira, o propósito reencontra o corpo.
E então você não apenas dá certo, você se reconhece enquanto caminha.
Com amor,
Fernanda.




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