Reconhecer o que sentimos é o primeiro ato de amor por nós mesmos
- Fernanda Mendes
- 28 de abr. de 2025
- 2 min de leitura
Em um mundo onde frequentemente somos treinados para "ser fortes" ignorando o que sentimos, o yoga nos convida a seguir o caminho inverso: sentir para fortalecer.
Segundo T.K.V. Desikachar, no clássico O Coração do Yoga, a prática não é uma fuga da vida, mas uma profunda imersão nela — começando por nós mesmos. Desikachar nos lembra que "não existe transformação verdadeira sem antes reconhecer onde estamos". Isso inclui aceitar nossos sentimentos, sem classificá-los como certos ou errados. Apenas observá-los, como são.
A prática do yoga é, antes de qualquer asana ou técnica de respiração, uma prática de escuta. Escutar a si mesmo é o primeiro passo para viver uma vida em alinhamento real com quem se é. Quando ignoramos nossas emoções, nos distanciamos de nossa verdade interior, e toda construção feita sobre essa base instável cedo ou tarde ruirá.
No Yoga Sutra, Patañjali aponta um caminho claro em direção a essa construção sólida.
Em II.1, ele nos apresenta os fundamentos do Kriya Yoga: tapas (esforço disciplinado), svadhyaya (autoestudo) e ishvara pranidhana (entrega ao absoluto). O tapas - o esforço disciplinado, é essencial para ultrapassarmos a resistência interna que surge quando confrontamos sentimentos desconfortáveis.
A resistência é natural. Sentir medo, raiva, tristeza ou ansiedade nos tira da zona de conforto. Mas é justamente ao atravessar essa resistência, com paciência e coragem, que edificamos algo que permanece. Algo real.
Ao nos comprometermos com o reconhecimento honesto dos nossos estados internos, construímos um chão sólido dentro de nós. Um chão de verdade, que não se abala facilmente diante dos ventos externos. Assim, nossa prática, e nossa vida, deixa de ser uma busca por perfeição e se torna um processo vivo de integração e expansão.
com amor, Fernanda.




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